A aprendizagem pragmática e os 10 tópicos primordiais

     Antes de tudo, é preciso analisar uma palavra que praticamente resume toda a abordagem apresentada aqui. Ela será nosso ponto de partida nesta discussão. A palavra "Leren" é uma palavra Holandesa, que significa algo como "Aprender ou Ensinar". Podemos dizer que "Leren" significa de fato o aprendizado pragmático, aquele no qual vai muito além de um quadro negro, giz, lápis e caderno. Muito valorizada na cultura holandesa, o aprendizado pragmático é incentivado desde sempre, ao qual aprende-se as concepções teóricas, mas também pratica-se aquilo que foi ensinado na teoria. Em certos momentos, a prática pode caminhar junta com a teoria, o que pode ser considerada a melhor forma de ensino.

    Desta forma, vamos elencar e analisar 10 pontos ou tópicos a discutir sobre este tipo de aprendizagem. Podemos analisar os Pós, os Contras, se esta é a melhor forma ou não, seus principais aspectos, etc. 

      1 - Voltar à abordagem da escola primária:

        Muitos devem ler esta frase e se perguntar: que diabos é isso de "voltar a escola primária?". Muito simples! Façamos um exercício de abstração e recordação. A maioria das pessoas do Pós Guerra tiveram um ensino bem parecido com o atual. Quando a criança nasce, ela passa os primeiros anos junto aos pais ou tutores. Em certo momento, são colocada em creches ou pré-escolas. Nesta época, os estímulos sensoriais e aprendizados básicos são ensinados as crianças. É nesta época em que os alunos pintam desenhos (seja com Giz de Cera, Lápis de Cor ou Cola Colorida), modelam abstrações com massa de modelar, começam a desenhar as letras, para que depois sejam desenhadas juntas formando as palavras. São ensinados os conceitos básicos de soma e subtração, ambas de uma forma visual e interativa. 

       Eis que crescemos e entramos para o ensino fundamental, médio e em seguida a graduação. Neste período, somos rodeados de métodos ou teorias que passam a serem inquestionáveis pelos alunos. A desculpa dada pelos pedagogos é de que devem seguir tais regimentos, do contrário sofrerão consequências. Imagine se afastar completamente do ambiente acadêmico. O que verá? Um mundo extremamente cheio de estímulos, ao qual deve-se tomar as melhores decisões para ser bem sucedido. Muito do que aprenderá no ambiente mundano será baseado em experiências. A maioria seguirá o caminho da manada, mas alguns poucos podem se destacar, executando pensamentos ou criações distintas. Estas por sua vez podem se tornar inovações, seja de ciências exatas ou humanas. 
    
       O ambiente dito pós-graduação e de pesquisas é o que mais propicia um ambiente inventivo, flexível e fértil para inovações que tragam avanços científicos ou tecnológicos. Pois ao invés de métodos, tem-se o exercício prático de ideias, conceitos e processos do conhecimento. No livro "O Pequeno Príncipe", de Antoine de Saint-Exupéry, uma perfeita metáfora é apresentada aos leitores. Um desenho feito pelo autor/protagonista de uma "cobra que engoliu um elefante" mostra o quão metódicos, autômatos e até mesmo débeis são a maioria dos adultos. No livro, as pessoas não conseguiam perceber a abstração da criança sobre aquele desenho. Alguns arriscavam o palpite de que aquilo era um chapéu ou algo muito simplista, não observando a subjetividade. O único a perceber o que de fato era o desenho foi justamente o Pequeno Príncipe. Será que gostaríamos de ser como ele, ou continuamos sendo como "meros adultos abobados"?
        
        2 - O processo de aprendizagem envolve um conjunto de atividades: 

        De fato, aprender não consiste apenas em absorver quase que osmoticamente algo percebido no ambiente. Façamos uma reflexão: com a revolução industrial até os tempos atuais, aonde temos a revolução da informação, o ensino e aprendizagem tornou-se mecanizado e repetitivo, tais como as fábricas e empresas em geral. Nos tempos modernos, o processo continua sendo mecânico, mas somou-se a isso uma aceleração dos processos de aprendizagem. 

        Em termos de qualidade, mecanizar a aprendizagem é um dos piores modelos de ensino, pois impede uma reflexão dos assuntos pertinentes do ensino, retem a criatividade e soluções inovadoras, além de tornarem-se rasos os conhecimentos obtidos. Neste tipo de interação, o conhecimento permanece em um processo de "paraconhecimento", no qual a informação é parcialmente processada e desenvolvida mentalmente, tornando-se em partes um conhecimento, mas ao mesmo tempo permanece em um limbo cognitivo no qual é assimilado pelo cérebro de maneira fragmentada ou parcialmente completa. É provável que a longo prazo estes conhecimentos serão esquecidos ou terão que ser recordados e reestruturados novamente. 

        Graças as novas reflexões e estudos baseados na cognição humana e os benefícios de utilizarem processos diferentes dos padrões, é possível perceber uma melhora significativa quando os conhecimentos são transmitidos de uma maneira prática, lúdica, participativa, indagativa, dentre outros aspectos que permitem que o aluno possa interagir, sem medo de errar, com aquelas informações. As cobranças por meio de notas disciplinares se assemelham com os salários recebidos em um emprego, caso o trabalhador seja assíduo e cumpridor de suas tarefas. 

         Na verdade, empregados que agem de tal forma permanecem em uma zona de conforto. Em tempos atuais, é preciso se adaptar a novos conhecimentos, se adequar com novas exigências no emprego, que mudam a cada dia. A disputa é maior, os conhecimentos andam freneticamente, mas tais conhecimentos continuam parcialmente absorvidas. Como um peixe fora d'agua, se o colaborador não tiver conhecimentos concretos e desenvolvido uma sabedoria do lhe cerca, este será mais um na multidão. 
            O individuo em questão pouco se desenvolverá além que já se tornou, e tão logo chegue a idade ou até mesmo problemas de saúde, será simplesmente descartado, tendo pouca inventividade para se sobressair nestas situações conturbadas. Não cabe a este autor julgar os atos e as consequências de pessoas assim, mas trazer uma luz de reflexão acerca do que está sendo abordado. E então questionar: você quer ser uma máquina desalmada ou quer descobrir habilidades que jamais imaginou possuir?

        3 - Descobrir que a chave da criatividade é a receptividade:

        A interação entre indivíduos, o contato com o ambiente, o experimento, os testes, as reflexões, analises, enfim, são muitos os processos aos quais o aprendizado passa para tornar-se conhecimento. É preciso haver o que podemos chamar de feedback para que haja alguma resposta ou processamento de ideias e pensamentos por parte do individuo. Como dito anteriormente, se o processo é vago, mecânico e até mesmo extremamente metódico, o risco de aquilo que foi transmitido para ser conhecimento torna-se o meio termo entre informação e o conhecimento propriamente dito ou que particularmente chamo de "paraconhecimento", ao qual já mencionamos. 

        Em outro artigo, mencionei a fala de um personagem da saga cinematográfica Guerra nas Estrelas. Yoda menciona que "O Erro é um Grande Professor". É claro, que existem riscos. Alguns são mais perigosos que outros. Mas eis que aí entra o bom senso, os princípios morais e analise ética para abordar certos temas e assuntos do conhecimentos. Imaginemos um teste feito como aeronaves. É óbvio que as experiências com estes veículos não podem ser executados na prático se o projeto for imaturo demais. E para esse problema, temos a solução de criarmos simulações, fazer testes teóricos, processar ideias e reflexões acerca do tema. Poucos sabem disso, mas Leonardo da Vinci era mais do que um pintor. Ele também pesquisava, estimulava a imaginação e fazia pequenas simulações de suas ideias. Em seu tempo, alguns o viam como excêntrico, alguns poucos como visionário. Eis que o tempo provou que muitas das suas ideias estavam certas, tornando-se projetos funcionais na atualidade. Aqueles que o criticaram, pouco ou nada restou como contribuições destes para nossa sociedade atual.

        4- Não se leve muito a sério:

        O aprendizado proposto pelos sistemas de ensino atuais são estruturados de maneira criteriosa e metódica, podendo até beirar para um sistema rígido. Um sistema de punições e recompensas. Alguns dirão ser um exagero tal afirmação. Mas os que fizerem uma reflexão mais profunda, perceberão que os fatos não se deixam enganar. 

           Um exemplo interessante, pouco usual no ocidente é analisarmos como foi concebido o Império Qin da China. O principado de Qin (ou Chin) constituiu as bases para o formato imperial da China, servindo de inspiração até para os dias modernos. O imperador Qin Huang Di concebeu um ordenamento estatal que não dava refrescos para a população. Até mesmo a forma de colher e plantar grãos era milimetricamente detalhada. Dos militares, aqueles que não apresentavam as cabeças dos inimigos não receberiam o soldo. A consequência: a dinastia Qin decaiu, sendo substituída por um militar chamado Gao Zu da família Han, que adotou o mesmo formato de ditadura imperial. 

   Todavia, inovações e tecnologias foram prejudicadas por tamanha rigidez. Muitas das novas tecnologias da Antiguidade e da Idade Média que corriam pelo Ocidente, mesmo com altos e baixos ocorrendo politicamente, demoraram séculos para chegar na China. Nos dias de hoje não mudou muito esta ideologia. De maneira geral os Chineses são excelentes em desenvolver engenharia reverso e aprimoramentos tecnológicos, mas em termos de criatividade estes são muito deficitários. Será que precisamos realmente sermos desta forma? Creio que não. 

      O ocidente passou por ases muito turbulentas, mas com muita inventividade, reflexões e criatividade foram capazes de se sobressair nas adversidades e moldar o mundo no qual poderíamos chamar de "Ocidental Life Style". Mesmo com a ascensão da China e da Rússia, percebemos que muitos dos costumes ocidentais estão enraizados em suas culturas. Um exemplo interessante: o terno e a gravata. Chineses e Russos as usam em eventos formais certo? Eis que esta moda surgiu na Europa, entre a Idade Média e Idade Moderna. 

    Um outro ponto interessante analisarmos: os filósofos chineses e greco/romanos. Nos tempos dos Qin, o confucionismo foi severamente perseguido. Somente com a Ascenção dos Han é que se tornou parte da cultura chinesa em definitivo. Mesmo que Confúcio e seu pupilo Mêncio tenham desenvolvido toda esta filosofia oriental, ela não é tão desenvolvida como a Filosofia Ocidental de Sócrates, Platão e Aristóteles. Comparando as duas civilizações, o ocidente se mostrou muito mais avançado em termos de invenção e criatividade, ao passo que os chineses receberam mais inspirações externas, como dos indianos por exemplo, do que si mesmos. Será que vale a pena uma ciência desenvolvida de maneira natural, intuitiva ou uma ciência exercida na base da pressão psicológica?

    5 - Tome Iniciativa:

    Líderes geralmente são figuras carismáticas, mas não basta só o carisma para conquistas corações e mentes. É preciso iniciativa para concretizar feitos, para exercer alguma função dentro de um grupo, organização ou na sociedade. Porém nos sistemas de ensino padrões, a iniciativa por parte dos alunos pode ser vista como prejudicial para a autoridade do professor. Quer dizer então que o professor pode temer por quais razões? Existe a crença mítica de que se você não detém o controle do conhecimento, está fadado a ter sua autoridade questionada. Será este professor um bom líder ou o aluno um futuro bom líder? Pensem em quantos bons líderes as escolas podem estar inibindo de existirem. Talvez eles surjam muito tardiamente, talvez nunca surjam. 

    Sempre me lembro de Alexandre, o Grande ou Gengis Khan (também conhecido como Temujin). Ambos eram talentosos no campo de batalha. Conseguiram feitos impressionantes, cada qual com sua própria jornada. O mais interessante é que não foram inibidos de seus feitos. Gengis teve dificuldades na infância, como a morte do pai, a perda do poder e o exílio. Mesmo assim se sobressaiu e usou todas suas habilidades desenvolvidas ao longo do tempo para vencer. Alexandre recebeu mais conhecimentos e estímulos, graças a Aristóteles. Em cerca de dez anos, chegou até as portas da Índia. 
    
    Podemos até fazer uma reflexão e concluir que se dessem a mesma oportunidade a outras pessoas, será que teriam as mesmas façanhas? Difícil responder, pois é uma questão subjetiva e depende do perfil do individuo. Mas, se hoje sistematizamos a educação, estruturando como uma espécie de linha de produção de fábrica, quantos "Alexandres e Temujins" estão deixando de existir, tanto no ambiente cientifico como no mercado de trabalho?


  6 - Seja Questionador:

    Uma experiencia interessante percebida nestes últimos anos demonstram um grande abismo que está separando os cientistas intuitivos dos cientistas de ceticismo religiosos; É algo assustador, mas que é preciso de que seja abordado pelos pensadores e filósofos. 
    
    Um debate que rende muito assunto é entre pesquisadores de fenômenos anômalos atmosféricos, incluindo ufólogos contra astrofísicos em geral e exobiólogos. Podemos também chamar esta rixa de paraciência versus ciência propriamente dita. O grupo da paraciência tenta provar a todo custo para os cientistas de que o fenômeno óvni é real e talvez não seja meramente erros de interpretação ou efeitos de alucinações. Enquanto o grupo de cientistas propõe que tais avistamentos ou experiências são explicáveis, podendo ser fenômenos atmosféricos,  aeronaves militares ou problemas de distúrbios mentais. 

      Entretanto, existem casos em que as explicações científicas não conseguem explicar tais fenômenos. Pior: os cientistas sequer se dão o trabalho de mostrar que aquele "erro de interpretação" é demonstrável em experimentos de laboratórios. Terminam ambos os lados formando doutrinas religiosas, deixando a experimentação e a pesquisa aprofundada de lado. Quem estaria com a razão neste caso? Difícil definir.

    O pesquisador e cientista deve ter como base os fundamentos, teorias e tudo aquilo que fomenta seu conhecimento e seu saber, mas nunca deve acreditar que aquilo que sabe é de fato imutável, extremamente sólido ou que seja impossível de receber questionamentos.

     Outro exemplo que incomoda astrofísicos: o que é matéria escura? A definição deste termo é imprecisa, muito subjetiva mas foi criada para tentar explicar um problema analisado com a rotação das galáxias. Em tese, as galáxias deveriam girar seguindo regras Newtonianas e de Einstein sobre a gravidade. Mas não é assim que funcionam as coisas. Se um planeta estiver mais próximo do sol, sua órbita ou translação em tese será mais rápida. Se um mundo estiver muito longe do sol, a translação será mais lenta. Isso tudo por questões de Espaço e Gravidade exercida sobre aquele corpo. 

        Certo, mas em uma galáxia, esperava-se que as estrelas próximas do núcleo girassem mais rápidas e as estrelas periféricas translassem mais lentamente. Mas não é assim que funciona na prática: sejam estrelas próximas ou distantes, elas giram na mesma velocidade. Logo, existe outra força ou elemento interagindo com as estrelas criando estes fenômenos. Percebemos que, mesmo com uma ciência tão avançada quanto a nossa, ainda temos muito o que aprender. Para aprender, devemos questionar e não termos medo de sermos questionados também. Afinal, são destas dúvidas que nascem os novos conhecimentos que surgirão com o decorrer do tempo. E nem mesmo o astrofísico mais cético está 100% coberto de razão. 

        
    7 - Seja inovador, empreendedor e parceiro de seu professor.

        Talvez Michael Faraday seja um bom exemplo para esta frase. Michael teve dificuldades na escola pois tinha problemas de pronunciação de palavras. Trabalhou como assistente na Royal Institution. Mesmo com um conhecimento básico, foi intuitivo e auxiliou muito seus tutores com experimentos e pesquisas que iam desde ótica até eletromagnetismo. Em seus trabalhos e obras, Faraday descobriu muitos dos efeitos do eletromagnetismo, mas por ter uma base científica limitada, não foi muito valorizado como deveria.

        Eis que um pupilo ou admirador chamado Maxwell, mais bem preparado, estudado e com recursos financeiros, conseguiu estudar as obras de seu tutor e comprovar teoricamente por cálculos e equações matemáticas tudo aquilo que Faraday pesquisou. Michael lembrou-se de quando era jovem e admirador de Humphry Davy (que depois tornou-se seu chefe) e humildemente ele reconheceu o esforço de seu pupilo. Se hoje conhecemos o eletromagnetismo, foi graças a essa mutualidade entre tutor e pupilo.

       Podemos dizer que o Tutor e o Pupilo caminham juntos. O primeiro vai ensinar, mas também vai aprender, e o segundo vai dar seus primeiros passos na jornada do conhecimento, pode superar seu mentor e talvez torne-se o sucessor. Este deve ser o natural caminho do conhecimento. 

    8 - Siga o Conselho de Blase Pascal:

        Vamos analisar com calma. Pascal nos diz o seguinte:

“Essas coisas são tão delicadas e numerosas que é preciso uma grande delicadeza, intuição e precisão matemática para percebê-las e julgá-las corretamente e com precisão. Na maioria das vezes não é possível defini-las analiticamente, porque os princípios necessários não estão prontos para serem entregues e seria uma tarefa sem fim a ser empreendida. A coisa também deve ser vista de uma só vez, de relance, intuitivamente, e não apenas como resultado de um raciocínio progressivo, pelo menos até certo ponto”

        Mas o que ele quer dizer com tudo isso? É simples. Estamos imerso em um mundo complexo, cheio de regras e estruturações. Por comportamento padrão, estamos habituados a agir de forma metódica, as vezes sendo extremamente lógicos e racionais. Porém, para descobrir certos "mistérios" acerca das coisas ao nosso redor, precisamos usar nosso lado sensorial, ligado a um caráter emocional. Nós podemos chamar isso de intuição ou insight. Este insight não funciona de forma singular para todos. Cada um desenvolve a intuição de uma maneira, de acordo com seus medos, angústias, prazeres e outros elementos emocionais. 
            
         Sendo assim, só percebemos detalhes intrínsecos ou obtemos iluminações de ideias de fato quando existe esta conexão coexistente entre o campo emocional e apenas uma parcela do campo racional. Em tomadas de decisões rápidas, a intuição pode ser bem vinda. Mas em processos mais longos, ela pode surgir em momentos futuros. Contudo, o elemento mais importante para que a intuição realmente funcione é de que o individuo seja curioso e esta receptivo para que a mente possa trazer a revelação destes tais, digamos, "mistérios". Quando o mistério é desvendado, nós temos a mesma sensação que Arquimedes teve, quando fez uma certa descoberta sobre hidrodinâmica: - Eureka! (Tradução: Encontrei).

    9 - Não se preocupe com o sucesso. Trabalhe duro em sua tarefa atual e o que as pessoas chamam de criatividade e inovação virão naturalmente.

        É de Confúcio a seguinte frase:

        "Escolha um trabalho que você ama e nunca terá que trabalhar um dia sequer na vida."

        Poderíamos encerrar a discussão aqui, pois esta frase resume praticamente ela toda. Mas vamos além. Quantas pessoas existem pelo mundo que optaram por trabalhar apenas por trabalhar, em busca de remuneração e na esperança de um fim de semana chegar para relaxar? Centenas de milhares não é? E existem pessoas que gostariam de ter outros afazeres, mas por falta de sorte ou oportunidade não podem exercer tais função, estando relegadas a trabalharem em algo maçante. 

           Nem todas as pessoas estão aptas para fazer a escolha de satisfação. Talvez o medo do fracasso, ou temer ganhar menos as impeçam. Existem outros impedimentos somados a isso, como cuidar da família, dos filhos, de outras responsabilidades, etc. 
    
            Há pessoas que dizem que não podemos viver fazendo só do que nós gostamos. Ok, mas e se fosse assim com elas? Estariam satisfeitas com a situação? Aposto que não. Não seria considerado um trabalho análogo, ou mesmo escravo? Gostaria você de ser servo ou escravo, sabendo das belezas que a liberdade podem te dar. Preferes um ano inteiro de céu escuro chuvoso ou que a maioria dos dias sejam iluminados, com um nascer do sol magnifico em meio a natureza, um entardecer melancólico mas belo, e um anoitecer reconfortante? Se uma pessoa diz aceitar as trevas, pode ter certeza que esta mente. Será que devemos ser felizes pelos outros ou temos o direito de sermos felizes por nós mesmos? Creio que depois de tais reflexões a maioria vai optar pela segunda opção. 

         10 - Finalmente, encontre um local, horário e condição em que você possa deixar suavemente vagar livremente, relaxar e carregar suas energias.

        Podemos resumir esta frase com outra frase, que pode ser considerada bastante simbólica. Esta frase é: encontre seu santuário. Seu tempo não está em uma igreja ou algum imóvel religioso, mas está dentro de si. E este templo não precisa ser apenas religioso, mas também um lugar ao qual você pode apreciar as belezas e as artes da vida. 

          A ciência pode ser considerada uma arte, se você dedica com amor e interesse natural. Atualmente as pessoas vivem mais frustrações do que satisfações. Isso é devido vivermos numa sociedade materialista, hedonista e mundana. Dentre destas pessoas, há um templo vazio, fechado, escuro, sem movimentação. Elas sabem que existem esse lugar, mas temem que as outras pessoas a vejam ali e julguem-na diferente, louca ou errada. Quantas vezes deixamos de fazer as coisas por mero temor de que outras percebam este santuário ou tais habilidades incomuns.

        Para aqueles que desejam ser pesquisadores, cientistas ou mesmo docentes, é importante cuidar deste santuário. Ele é seu, e sendo seu você faz o que achar mais apropriado para se recolher do mundo e construir coisas como espiritualidades, conhecimentos, desenvolver sabedorias, dentre outras coisas intrínsecas a nós mesmos.
        
            As pessoas desprezam nossas particularidades pois elas não as têm, preferindo viverem como meras formigas zumbis seguindo um rastro químico deixados por suas companheiras, servindo uma megera rainha que nem sabe da existência delas. Sente-se importante por fazer parte do todo da colônia, de que sem você e sua ajuda a colônia morreria? Não é assim que pensam as rainhas. 
        
    


           
        

    

        

        
    

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