Inner Ring: O Círculo Social e Suas Complexidades
Em uma das várias discussões em sala de aula, deparamos com um texto de C.S. Lewis a respeito de Círculos Sociais, ao qual ele chama de Inner Ring. A abordagem do texto fala sobre comportamentos formais, aqueles que estão prescritos em regras ou normativas e comportamentos subjetivos, que estão presentes informalmente, manifestado em forma de cultura de um grupo ou organização.
Resta para mim ir além de um simples debate. Lembro-me do autor Flávio Augusto da Silva, em seus livros de coach. Um deles, Geração de Valor, me chamou a tenção por falar algo como "saia da caixa". Ok, mas o que seria "Sair de Caixa"? Meramente deixar um grupo ou ideologia? Certo, mas e depois? Para onde você vai?
Eis que aí me lembro de Aristóteles em "A Política". O Homem e a Política são ligados de forma indissolúvel. Você pode analisar antropologicamente várias sociedades, desde nômades tribais até nações ricas e civilizadas, o resultado é sempre o mesmo: haverá política sempre ali, em maior ou menor nível de desenvolvimento. Ok, mas o que devemos destacar aqui é algo que ele disse a respeito de comportamentos e governos. Se um homem vive alienado da Politica ou da Sociedade, ou ele é um Deus ou uma Besta Selvagem.
Ou seja: humanos sociáveis sempre estarão politicamente ligados. A palavra Política, embora esteja relacionada a Pólis ou Cidade-Estado, ela denota organização social por hierarquias, funções, responsabilidades e articulações sociais. Sem isso, viveríamos como seres animalescos. Bom, se bem que até alguns símios como Chipanzés constituem uma hierarquia entre os clãs, mas como são desprovidos de uma linguagem complexa, não são capazes de abstrair ideias e constituir decisões complexas. Talvez seja estas e outras características que nos separemos dos animais de fato.
Desta forma, somos seres que dependemos de outrem para formar nossas comunidades, cidades, Estados e Nações. Por padrão, o individuo tem 3 camadas aos quais lhe dotam comportamentos. A camada individual constitui o individuo por si só. Vale neste aspecto os valores, crenças e atitudes próprias daquela pessoa, sendo características inatas da pessoa, podendo serem desenvolvidas ou não, dependendo da predisposição da pessoa até estímulos ambientais.
A influência grupal já começa a moldar a pessoa, de maneira que ela tenha atribuições semelhantes aquele grupo em questão. Todavia a pessoa pode desenvolver multifaces, de acordo com cada grupo e seus padrões comportamentais. Vale ressaltar que o individuo pode se comportar de tal forma para se adequar ao grupo e não sofrer com retaliações ou afastamentos por conta de comportamentos inadequados. Algo semelhante se observa com Lobos, entre Líderes e Subalternos. Se o Subalterno quer impor novas regras, ele deve enfrentar a liderança do grupo e assumir tal posto. Não é diferente com os humanos, porém numa perspectiva mais complexa.
Por fim, encontramos os comportamentos organizacionais. É algo semelhante ao que encontramos em grupos, porém em complexidade e escala maior. Não só abrange o individuo, como também grupos inseridos na organização. É comum encontrarmos ritos formais e ritos informais, aos quais se percebem de maneira intrínseca e subjetivamente.
O questionamento que proponho: afinal, se quisermos destoar destes comportamentos, seguir nosso próprio caminho, sair da caixa é a solução? Você pode até achar que sim, mas cedo ou tarde você terá de ser como um camaleão e se adequar a um grupo ou organização em específico. A maioria as pessoas imaginam que saindo de um ambiente e migrando para outro poderão realizar seus próprios desejos. Mal sabem elas que estão apenas trocando uma liderança por outra e que vai depender do quão você será prestigiado ou não pelo grupo ao qual foi recém inserido.
A discussão é longa, mas sumariamente falando, nós nunca estaremos fora da caixa de fato. O máximo que pode ocorrer é, como eu, ser um individuo autossuficiente, com uma adaptabilidade de um camaleão, a sagacidade de um lobo, a determinação de um leão, o foco de um falcão e a paciência de uma pantera. Não é fácil, admito, mas é uma forma muito incomum e nada ortodoxa de se infiltrar em grupos ou ambientes sociais, obter o que precisa, não se comprometer com o grupo e sair sem deixar rastros. Haverão grupos que lhe aceitarão ser assim, outros exigirão submissão completa. A maioria se contenta com a submissão completa, mesmo havendo o risco de serem usadas e descartadas.
Para nós, que estamos, como numa alegoria da Caverna de Platão, descobrir o mundo além das sombras, nosso dever é questionar ao máximo tais questões para quem sabe nos tornemos Quimeras Humanas, perspicazes e bem sucedidas no que cerne as relações humanas, isso sem perder a eticidade das relações humanas e respeitar moralmente as pessoas.
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